Arnaldo Luis Theodosio Pazetti

Loading...

Quem sou eu

Minha foto
São Paulo, SP
Capitão da Polícia Militar do Estado de São Paulo, com 18 anos de carreira desenvolvida nas áreas de Educação e Fiscalização de Trânsito; Diretor-Assistente da Divisão de Fiscalização do Detran/SP; Membro da Câmara Temática de Esforço Legal do Conselho Nacional de Trânsito – Contran; Conselheiro do Conselho Estadual de Trânsito de São Paulo - Cetran/SP; Bacharel em Direito pela PUC/SP; Mestrando em Ciências Policiais de Segurança e Ordem Pública; Professor em cursos de capacitação do Departamento Nacional de Trânsito - Denatran, de Pós-Graduação de “Especialização em Gestão e Normatização de Trânsito”, e de especialização em trânsito da Polícia Militar do Estado de São Paulo; Palestrante especializado em trânsito; Autor de artigos sobre o tema e do Código de Trânsito Brasileiro, Editora Rideel, edições 2009 e 2010.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Insolação Lunar

 

 
Se me dispusesse, num desses dias em que o sol brilha intensamente, a deitar-me na praia por horas, sem qualquer proteção, apenas mentalizando estar sob a lua, ficaria livre dos efeitos solares? Creio que não. Seria, sem dúvida, vítima de insolação.

 
Para nos proteger dos efeitos nocivos do sol, não há outra forma: protetor solar, óculos escuros e boné.

 
Como os fenômenos físicos, os fenômenos sociais se curvam ao implacável binômio de causa-efeito, portanto, de nada adianta tentarmos combater a violência social com minutos de silêncio pela paz, utilizando camisetas brancas ou pondo velas acesas às janelas. A violência continuará lá.

 
Não aponto uma solução xiita. Não vejo como saída a pena de morte ou o extermínio sumário por parte da polícia, assim como para diminuirmos os efeitos do astro-rei não lançamos contra ele ogivas nucleares, repito, apenas usamos protetor solar, óculos escuros e boné. Por outro lado, não acredito em soluções poéticas, como prega o grupo dos mal-intencionados ou inocentes, por exemplo, a diminuição do número de assassinatos se a polícia passasse a trabalhar desarmada, como dizem ocorrer na Inglaterra (o que é uma meia-verdade, pois não há polícia alguma desarmada, ao menos nesta dimensão). A esse grupo esclareço que, para enfrentar criminosos, a ciência ainda não conseguiu clonar a lira de Orfeu, cuja melodia neutralizava a ferocidade dos animais.

 
Todos sabemos (e continuamos aceitando isso) que a força motriz da criminalidade é a impunidade, que decorre da frágil investigação criminal; da paleozóica legislação processual, que acaba legitimando a impunidade pela prescrição do crime ou por absolvições por falta de provas, que se perderam na longa odisséia processual; da Lei de Execuções Penais, que apenas viabiliza ao condenado que não cumpra efetivamente toda a pena que lhe foi imposta; e, do queijo suíço que se tornou o sistema prisional brasileiro.

 
Não podemos esperar décadas até que se cumpra a profecia de darmos educação, moradia e, quem sabe, um carro zero para cada brasileiro, o que então, acreditam alguns, trará a paz tão sonhada. Ledo engano. Só há, acredito, duas formas de combate à criminalidade: uma formação ética e moral, forjada principalmente pela estrutura familiar, aliada à efetiva resposta estatal àqueles que não a têm.

 
Assim, resta-nos como solução imediata e eficaz contra a violência, fortalecer a polícia, atualizar, sem romantismo, o ordenamento jurídico e tornar o sistema prisional intransponível, então poderemos esperar que a família volte a cumprir seu papel na sociedade. Enfim, passarmos já o protetor solar, pois o sol definitivamente não é a lua.